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Aprendizado em meio aos desafios

  • Por: Assessoria de Imprensa
  • Fotos: Divulgação

Acadêmicos da UPF compartilham suas experiências de troca de conhecimento nas diferentes frentes de trabalho em que a Instituição está atuando

Desde o início da pandemia de Covid-19 no país, a Universidade de Passo Fundo (UPF) tem se mobilizado e atuado em diferentes frentes de trabalho. Boa parte delas, conta com a ação voluntária de professores, funcionários e especialmente dos acadêmicos. De diferentes cursos e áreas de ensino, são futuros profissionais engajados em uma série de atividades que levam desde atendimento médico e apoio psicológico até materiais essenciais para o tratamento de infectados, e que entendem a importância e o aprendizado de se trabalhar para o bem de todos. 

Um desses estudantes, é o acadêmico do curso de Medicina, Eduardo Dombroski da Silva, que atua na equipe que coordena as ações desenvolvidas pelo curso. Juntamente com outros diversos profissionais da área da saúde, ele auxilia na organização das atividades, plantões, distribuição de equipamentos, além de conversar com os demais estudantes. As ações são divididas entre os atendimentos na linha de frente aos pacientes, no Cais Petrópolis, que é o centro de referência da Covid-19 em Passo Fundo, e os atendimentos no serviço de Teleatendimento, feitos a partir no Campus I. 

Eduardo Dombroski da Silva

Em ambos os casos, todas as orientações são feitas com a supervisão de um professor ou de um profissional da saúde. “No Cais, atendemos os pacientes com sintomas de gripe como tosse, falta de ar, febre. Analisa-se e depois se discute o caso com o professor ou profissional da saúde que atua junto com a equipe. Os acadêmicos que atuam são aqueles que já têm uma conduta médica mais adequada e têm condições de colaborar com a situação, dando também uma resposta à sociedade”, explica. Já no Teleatendimento, junto com uma equipe multiprofissional, os acadêmicos atendem, todos os dias da semana, a população por telefone, repassando orientações e permitindo que a sociedade se mantenha informada e cuidada, com base em protocolos oficiais do Ministério da Saúde e da OMS.

Para Eduardo, mais do que apenas uma fase da formação, o momento é significativo para todos aqueles que estão atuando. “Esse trabalho é de suma importância para a sociedade, visto que amplia o acesso à saúde para a população, além de nos auxiliar na formação. Nesse momento, o que mais precisamos é orientar e educar a sociedade sobre os processos epidemiológicos e de contágio. Como é algo novo, temos a obrigação de repassar essas informações e fazer com que a sociedade tenha acesso a informações corretas, vindas de profissionais que estão atuando nas frentes”, pontua, destacando que, entre as orientações estão o esclarecimento de dúvidas sobre sintomas, gravidade de cada caso e quando procurar hospital.

Ainda de acordo com o acadêmico, os desafios ultrapassam a questão da formação profissional, pois as equipes são expostas ao limite, estando longe das famílias, cumprindo jornadas exaustivas e vivendo uma realidade nova. “Não é todo mundo que pode estar no processo formativo e passar por uma pandemia. Temos uma preocupação com nossa família e quando entramos na faculdade, temos essa noção de que estamos, de alguma maneira, sempre perto de algum risco, além da exigência dos plantões. Tendo a oportunidade de atuar nesse momento, aumenta nossa responsabilidade em sermos médicos, profissionais da saúde, atuando ativamente, com comprometimento, agilidade. Tudo isso faz com que a gente vivencie um momento histórico, embora triste, mas que nos fortalece enquanto humanos e profissionais”, frisa.

Por atuar junto à coordenação das ações, Eduardo também vê a oportunidade como uma forma de ampliar a visão que os acadêmicos têm da própria Medicina e do funcionamento da sociedade. Para ele, o momento é de união e de soma de esforços para que tudo passe e a normalidade volte. “Temos esse papel de tentar organizar da melhor forma possível esse atendimento. Conversamos, porque todo dia precisamos adequar alguma situação. Não sabemos o jeito certo. Estamos fazendo cada dia e temos que ter paciência e compreensão para que a união prevaleça e possamos ter uma frente adequada de trabalho. Fazemos reuniões periódicas online, muitas vezes tarde da noite, organizando escalas, ouvindo os acadêmicos e construindo uma boa relação para que todos estejam bem. Os desafios são grandes e também passam por casa, já que estamos o tempo todo envolvidos, atentos. O que sabemos é que essa situação não tem hora, nem momento oportuno, quando as coisas acontecem, precisam ser resolvidas”, destaca.

Sibéli Castelani dos Santos

Estudantes como agentes de mudanças

A estudante do nono nível do curso de Enfermagem, Sibéli Castelani dos Santos, está inserida como voluntária na vigilância epidemiológica do município de Passo Fundo. Nesse local, juntamente com três colegas do curso, auxilia no direcionamento de contatos dos pacientes do CAIS Petrópolis, para acompanhamento, e de dúvidas que surgem da população em geral para o Teleatendimento da UPF, referente à Covid-19. "É uma experiência única, só tenho a agradecer pela oportunidade e espero contribuir da melhor forma possível com a comunidade", pontua. Ela decidiu participar voluntariamente para contribuir com a comunidade e reduzir os casos e, consequentemente, os óbitos na população. "Somos agentes de mudanças, nossas ações, desde as mais simples, são capazes de causar grandes mudanças, principalmente no que se refere a promoção e prevenção da saúde", completa.

Agir além do óbvio
Também estudante de Enfermagem, Adrieli Carla Prigol está atuando como voluntária no Teleatendimento da UPF, além de ser estagiária remunerada na Vigilância Epidemiológica do Hospital São Vicente de Paulo (HSVP). Para ela, atuar nesse momento é uma experiência importante na formação, não só pelo aprendizado, mas por possibilitar entender como se dá a realização de protocolos e planejamento frente a uma pandemia. "É um momento de extrema importância, pois podemos estar na linha de frente no combate à pandemia, levando informação e adquirindo experiência de como atuar como futuros profissionais. É um diferencial na formação dos acadêmicos atuantes, mesmo estando de ‘mãos atadas’ e com uma incerteza diária, o importante é esclarecer a população com informações verídicas e conscientizá-los quanto à importância do isolamento social para evitar a disseminação do vírus e lotação dos serviços de saúde que são referência", avalia.

O Teleatendimento é um serviço oferecido para toda a população gratuitamente. Por isso, é preciso que as pessoas que estejam atendendo possam moldar a linguagem e a forma de atendimento conforme a pessoa que está em busca do serviço. "Ocorreu uma situação que me comoveu. Um paciente idoso e pouco esclarecido, não tinha familiares nem meio locomotor para que fosse realizar a vacina da influenza. Então exigiu empatia e raciocínio rápido para encontrar uma solução que fosse ao encontro da realidade desse indivíduo", conta. Devido à condição financeira, o senhor não tinha como fazer outras ligações para possibilitar o agendamento da vacinação domiciliar. "Registramos o número do celular desse senhor e contatamos a Secretaria de Saúde e eles fizeram todo o contato e articulação para a aplicação da vacina", conta com orgulho.

Nairilin da Silva Bonatto

“Após a pandemia, com certeza não seremos os mesmos”

Atuando em outra frente do Teleatendimento estão as acadêmicas do curso de Psicologia Nairilin da Silva Bonatto e Maria Eduarda de Souza. Ambas no décimo semestre, as estudantes se dedicam a uma questão fundamental nesse período de pandemia: o apoio psicológico. De acordo com Nairilin, o atendimento psicológico realizado pela equipe tem o intuito de acolher as pessoas em um processo de escuta especializada e manejar crises de ansiedade. “Neste período da pandemia e do isolamento social notamos que todos nós precisamos nos adaptar a novas rotinas, lidar com incertezas que geram estresse, ansiedade e angústia”, comenta. Para ela, como estudante de Psicologia, é muito gratificante ajudar as pessoas nesse momento. “O fato do trabalho ser multiprofissional proporciona muitas aprendizagens e nos ajuda a adaptarmos ao momento que estamos passando. Após a pandemia com certeza não seremos os mesmos. Acredito que os dias de isolamento social estão nos ajudando a perceber a importância da presença física e do abraço. Espero que essa experiência nos torne pessoas melhores, que possamos valorizar as relações humanas e ser mais sensíveis uns com os outros”, comenta. 

Prestes a concluir o curso, Maria Eduarda acredita que o Teleatendimento tem sido uma experiência singular dentro das atividades que realizou até aqui. “Estou no décimo semestre, então estar vivenciando algo dessa dimensão, é novo e, por consequência, desafiador, mas que traz muito aprendizado no dia a dia”, frisa a acadêmica destacando a segurança e o aporte com que toda a equipe tem realizado o trabalho, unificando os diferentes conhecimentos e fazendo os atendimentos da forma mais adequada. “Gostaria de não estar passando por esse momento, mas poder participar de uma equipe como essa que se estruturou para ajudar a população a enfrentar essa pandemia, com certeza faz de mim hoje uma futura psicóloga com um olhar muito mais horizontal e amplificado para as necessidades que temos enquanto humanos e sociedade. Acredito que quando isso passar, teremos um outro prisma de prioridades, espero que o maior número possível de pessoas consiga se proteger e que possa entrar em contato conosco se alguma demanda surgir”, completa. 

Maria Eduarda de Souza

Coragem e envolvimento de ponta a ponta

Janaíne Strello é agricultora e acadêmica de Engenharia de Alimentos. A família sempre viveu da agricultura e há 18 anos os pais começaram a vender produtos na Feira do Pequeno Produtor na Gare. "Cresci em meio às vendas, à produção agrícola e à área agroindustrial, o que fez com que me apaixonasse pelo curso de Engenharia de Alimentos no Interação UPF. Desde aquele dia, tive certeza da graduação a qual queria seguir", conta, lembrando que o conteúdo interdisciplinar do curso de Engenharia de Alimentos sempre esteve presente na vivência da agroindústria e da Feira do Produtor. 

Com o fechamento da Feira do Produtor, em função das restrições impostas pela Covid-19, os produtores ficaram sem alternativas para expedir os produtos que já estavam prontos nas lavouras. "Com uma perda de aproximadamente 60% na produção agrícola, os produtores resolveram ligar para os clientes e entregar a produção nas suas casas. Nisto surgiu a ideia de criação de uma plataforma virtual para vendas dos produtos", conta sobre a aproximação com a Rede de Inovação Conecta UPF. "Aprendi na minha vivência familiar a não me abalar em momentos de crise e buscar sempre soluções para resolver qualquer tipo de problema. Todos os problemas geram oportunidades de empreendedorismo para as pessoas, basta termos força e coragem para seguirmos em frente. Se posso deixar uma frase nesse tempo de crise é ‘não morra sem brotar’, a terra nos dá tudo o que precisamos, é nosso dever florescer e deixar novas sementes", estimula.

Dentro do projeto, sua função é de orientação sobre a manipulação de higienização dos alimentos, incluindo a lavagem adequada de equipamentos e utensílios utilizados na produção, bem como a lavagem e boas práticas pós colheita desses alimentos. "Junto à plataforma, minha função é atualizar a cada entrega a disponibilidade dos alimentos produzidos e trabalhar com os agricultores a organização dos pedidos, organização das entregas, e a parte administrativa do site (responder e-mails e falar com os clientes). Além disso orientar os produtores quanto ao uso de EPI’s como máscaras, luvas e álcool gel, para diminuir a disseminação do vírus na região", detalha. Os esforços na criação da plataforma on-line para a venda dos produtos que antes seriam vendidos na Feira, resultaram em uma diminuição significativa nas perdas dos agricultores. "Acredito que os produtores da feira estão muito animados com os resultados de vendas que a plataforma virtual tem trazido, além de diminuírem suas perdas para 30%", reforça. 

Dividir para multiplicar o conhecimento
O acadêmico Roberto Natã Soares Da Paixão está no oitavo nível de Engenharia Elétrica e integra um grupo de pesquisadores que desenvolveu um protótipo de ventilador mecânico que poderá ser usado em caso de crescimento abrupto de casos graves da Covid-19. Além do conhecimento acadêmico, ele tem a experiência profissional na área por já ter trabalhado no setor de engenharia hospitalar do HSVP e hoje ter uma empresa que atende hospitais em vários municípios. Convidado a participar do grupo por essa experiência, acredita que o momento é importante para a soma de esforços e conhecimentos. "Estou podendo trocar muito conhecimento não só técnico, mas do dia-a-dia dos profissionais de engenharia e está sendo muito bem aproveitado esse período. Podemos aplicar tudo que aprendemos na prática, podendo auxiliar e desenvolver um equipamento de tamanha importância para o cenário da Covid-19. Estamos tendo que colocar tudo que sabemos em tão pouco tempo e sem erros e está sendo uma prova de fogo como aluno, de poder colocar totalmente em prática o que aprendemos na graduação", avalia.

Roberto Natã Soares Da Paixão

Para ele, outro destaque do projeto é a colaboração entre profissionais de áreas distintas. "Trabalhando numa equipe multidisciplinar com engenheiros de diversas áreas, médicos, fisioterapeutas, entre outros, há uma grande troca de experiência e essa é a melhor parte, essa integração que agiliza em muito o tempo de projeto. Conseguimos em uma semana um protótipo de ventilador com parâmetros básicos para ventilar um paciente", orgulha-se. Apesar da correria para conciliar o trabalho na empresa com a participação no projeto, ele acredita valer a pena. "Estamos vendo o cenário de forma real. Quando auxiliamos um hospital pequeno da região e comentamos que estamos trabalhando no projeto eles ficam muito felizes de saber que podem contar conosco caso seja necessário", conta sobre o contato que tem com os profissionais.