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Protagonismo feminino em debate

  • Por: Assessoria de Imprensa
  • Fotos: Jéssica França

Roda de conversa promovida pela Faculdade de Direito discutiu os avanços e os desafios para a mulher nos dias de hoje

Um dia para promover a reflexão sobre os desafios e os avanços que marcam o papel da mulher na sociedade contemporânea. No Dia Internacional da Mulher, 8 de março, a Universidade de Passo Fundo (UPF), por meio da Faculdade de Direito (FD), promoveu uma roda de conversa para debater a temática. O assunto foi apresentado pela reitora da UPF, Dra. Bernadete Maria Dalmolin; pela egressa da FD e chefe da Polícia Civil do Rio Grande do Sul, Nadine Anflor; pela coordenadora da FD, professora Me. Regina Helena Marchiori Canali; pela coordenadora do Projur Mulher e Diversidade, professora Dra. Josiane Petry Faria; pela presidente da OAB Passo Fundo, Morgana Bordignon; pela advogada Maiaja Franken de Freitas e pelas acadêmicas Nadya Mohamad, do Diretório Acadêmico, e Bruna Paludo, da Atlética do Direito. 

O encontro, que ocorreu no anfiteatro da Faculdade, no Campus I da UPF, reuniu a comunidade acadêmica, que assistiu ao depoimento de lideranças femininas, como o da reitora da UPF, professora Dra. Bernadete Maria Dalmolin.  “Nós já tivemos avanços importantes, que mostraram que somos tão importantes quanto os homens, mas ainda temos muitos desafios pela frente. Só o fato de sermos mulheres já nos impõe um compromisso a mais diante da vida do trabalho e da vida social”, disse a reitora, destacando que somente com homens e mulheres ocupando diferentes lugares na sociedade é que poderemos enfrentar toda iniquidade de gênero existente nos dias de hoje.  

A egressa da FD e chefe da Polícia Civil do Rio Grande do Sul, Nadine Anflor, foi a convidada especial do evento. “Digo aos quatro ventos, e com muito orgulho, que sou egressa da UPF, pois essa Instituição teve papel fundamental na trajetória que despertou meu interesse pelo processo penal. Então, o meu trabalho é fruto de uma sementinha que nasceu aqui, o que possibilitou que hoje eu seja chefe de polícia e ocupe o maior cargo dentro da Policial Civil.  que isso também é uma quebra de paradigmas, porque a Polícia Civil tem 177 anos e  uma história de muitas batalhas e de muitas mulheres que lutaram para conquistar seus espaços”, disse. 

O evento foi transmitido para a UPF Campus Carazinho, por meio da UPF Virtual. Durante o debate, o Projur Mulher e Diversidade foi homenageado pela OAB, que, por intermédio da advogada Maiaja Franken de Freitas, entregou à professora Josiane um certificado em reconhecimento ao trabalho desenvolvido pelo projeto. 

Combate à violência contra mulher passa pela educação
Segundo a chefe da Polícia Civil, no Rio Grande do Sul, existem 22 delegacias especializadas no atendimento à mulher, contudo, mesmo com a ação efetiva da polícia, é necessária uma mudança de cultura, e isso passa necessariamente pela educação. “Precisamos estimular as mulheres a romper o ciclo da violência e acho que chegamos a um momento crucial, temos que voltar nossos olhos aos homens, aos agressores. Temos uma demanda hoje na violência contra a mulher que ainda não implementamos, que é inserir esse tema na área da educação. No ensino, ainda não se fala com as crianças sobre isso, e quando o tema é abordado, ainda se diz muito pouco sobre a violência de gênero”, comentou. 

Conforme Nadine, houve um grande avanço com a Lei Maria da Penha, porque medidas protetivas são realizadas, com a prisão do agressor. Contudo, ainda há muito a ser feito, já que dados apontam que, no país, a cada 15 segundos uma mulher é vítima de violência. “Hoje em dia, falar em feminismo parece até uma afronta. Feminismo não é o contrário de machismo, não pressupõe uma supremacia, mas sim uma busca de igualdade. Para podermos avançar, precisamos voltar a falar sobre o feminismo que esteve tão em voga na década de 1970. Mas um feminismo também com o olhar para esses agressores. Durante o período de sete anos, estive à frente de uma Delegacia da Mulher, atendia em Porto Alegre uma média de 40 mulheres por dia, eram mais de mil ocorrências por mês em uma delegacia especializada, então, são muitos casos de violência”, comentou. 

Sobre a lei do feminicídio, a chefe de polícia disse que esse foi outro importante avanço, uma vez que a lei passou a tratar de casos em que as vítimas morreram simplesmente por serem mulheres. “Começamos a desvelar essa violência e mostrar que, no meio dos homicídios, nós temos aquela morte que caracteriza o feminicídio, que se dá justamente pelo fato de as vítimas serem mulheres. Elas morrem porque têm um relacionamento doentio, por uma questão de posse desse agressor que diz que ‘se não é minha, não vai ser de mais ninguém’ e acaba tirando a vida dessa mulher” finalizou.