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Agrotóxicos alteram o comportamento dos peixes

  • Por: Caroline Simor
  • Fotos: Divulgação

Pesquisa desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais aponta os reflexos negativos do Glifosato e Fipronil

Na pauta dos grandes debates sobre meio ambiente, os agrotóxicos são ponto de divergência. Com o aumento significativo de produtos autorizados recentemente pelo Ministério da Agricultura, viu-se também o aumento do interesse da população em compreender melhor o funcionamento dessas substâncias. Essa é uma das funções das academias e das pesquisas realizadas. Por isso, pesquisadores do Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais (PPGCiamb), em parceria com o Programa de Pós-Graduação em Bioexperimentação (PPGBioexp), ambos da Universidade de Passo Fundo (UPF); do Programa de Pós-Graduação em Farmacologia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM); e dos cursos de Medicina Veterinária da UPF e da UniSociesc, de Blumenau; desenvolveram a pesquisa “Agroquímicos à base de Glifosato e Fipronil e suas misturas: alterações no comportamento do zebrafish”. Participaram do trabalho os pesquisadores Fabiele da Costa Chaulet, Dra. Heloísa Helena de Alcantara Barcellos, Me. Débora Fior, Aline Pompermaier, Dra. Gessi Koakoski, Me. João Gabriel Santos da Rosa, Dra. Michele Fagundes e Dr. Leonardo José Gil Barcellos.

O grupo destaca que a contaminação ambiental causada pela ocupação humana e as atividades econômicas que geram uma ampla gama de efluentes contaminados que atingem os recursos hídricos naturais são uma realidade atual. Resíduos de agroquímicos utilizados na produção vegetal foram detectados em diferentes ambientes e em diferentes países.

Os pesquisadores estudaram os agroquímicos à base de glifosato herbicida (GBH), um inseticida à base de fpronil (FBI) e suas misturas (GBH + FBI). Os zebrafish foram expostos aos produtos, em maior ou menor quantidade, e isso possibilitou que se percebesse que, quanto maior a exposição, em um contexto ambiental, mais prejudicada fica a capacidade da espécie para fugir de predadores. “Concluímos que tanto o herbicida à base de glifosato quanto o inseticida à base de fpronil e suas misturas alteram o comportamento do zebrafsh, o que pode resultar em significativas repercussões na manutenção da espécie, bem como na cadeia alimentar e no ecossistema”, destaca o professor Dr. Leonardo Barcellos. 

Ele explica que os resultados são obtidos por meio da análise do comportamento do peixe e que o tema é bastante significativo, uma vez que resíduos de agroquímicos utilizados na produção vegetal são detectados em diferentes ambientes e diferentes países. Barcellos ressalta que o estudo ganha cada vez mais relevância, visto que o zebrafish é o modelo de pesquisa que mais se assemelha geneticamente com o ser humano, contribuindo para que os levantamentos obtidos sejam visualizados, a longo prazo, também na sociedade. “O fato de alterar sua capacidade de evitar ou fugir de predadores pode resultar em importantes repercussões à manutenção das espécies também no ecossistema. Além disso, a determinação das respostas comportamentais de zebrafish expostos ao GBH, ao FBI e às misturas testadas pode ajudar a entender melhor a confiabilidade do uso de biomarcadores comportamentais nas avaliações sobre o risco desses compostos”, explica o pesquisador.

Inscrições abertas até esta sexta-feira (14)
Pesquisas como essas, voltadas à compreensão e à melhora do meio ambiente, são frequentemente relizadas no PPGCiamb. O Programa está com inscrições abertas até esta sexta-feira (14). As informações estão disponíveis no site www.upf.br/ppgciamb.

Um artigo com alguns resultados da pesquisa foi publicado e pode ser conferido, na íntegra, aqui.