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História, Regiões e Fronteiras

Na complexidade de suas formações, as fronteiras ensejam questões históricas, geopolíticas, culturais e de modo de vida particulares. Como fenômenos, representam unidades carregadas de significados referidos pela geografia e pelo imaginário das culturas. Além da determinação concreta topográfica e das práxis individuais e dos grupos humanos nelas e no seu entorno, podem ser também as suas representações conforme as relações de seus interlocutores. 

A fronteira se apresenta como uma orientação de método para a alteridade dos diferentes no espectro geopolítico e para os grupos transnacionais, infranacionais e inter-regionais. O traçado da linha territorial no centro da fronteira não significa apenas uma marca espacial. A fronteira implica a formação do epicentro dos pertencimentos e das identidades. O lugar do conflito, mas também das práxis da alteridade, do reconhecimento e da formação de projetos de destinos em espaços duais involucrados com os sentidos das experiências históricas, sociais e culturais locais e regionais coadunadas e/ou sobrepostas às diretrizes governamentais centrais, carregadas de matizes continentais/internacionais. Há um nexo fronteiriço na concepção e no método da categoria da fronteira que possibilita a compreensão dos eventos singulares/particulares com a universalidade civilizatória, acrescida de tipicidades multiculturais nos modos de vida. Assim, as passagens das diferenças somente são possíveis pela alteridade intrínseca à concepção da fronteira. 

As fronteiras são únicas e, nesse sentido, são especialidades. Nelas, um fenômeno se encontra com muitos outros. O corte divisório na espacialidade territorial não separa, mas relaciona. A fronteira centraliza a linha de limites, mas a subverte e a involucra numa faixa ampla de fricção e negociação, criando níveis de alteridades que vão da separação a esferas elevadas de unidades. Sobre as definições técnicas limítrofes territoriais, os modos de vida negociam seus destinos. Nessas divisórias técnicas e topográficas, as fronteiras assumem características específicas e múltiplas, dependendo dos processos históricos. No aspecto geopolítico e cultural, examina o lugar dos espaços divisórios, estabelecendo paradigmas de análises e compreensões cognitivas mediante a categorização de suas interregiões, suas posições geográficas e usos pelas populações transfronteiriças entre países ou entre regiões de uma mesma nacionalidade.