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Pesquisa aponta que a interação no ciberespaço estimula a memória em idosos

  • Por: Alessandra Pasinato
  • Fotos: Divulgação

Estudo desenvolvido pelo Mestrado em Envelhecimento Humano da UPF mostrou que o uso das tecnologias pode desenvolver a interatividade e o raciocínio dos idosos

A interação por meio do computador pode constituir uma alternativa para desenvolver a cognição em pessoas idosas. Foi pensando nisso que a mestranda do Programa de Pós-Graduação em Envelhecimento Humano da Universidade de Passo Fundo (PPGEH/UPF) Mônica Luísa Kieling desenvolveu o estudo “Interação no ciberespaço e treinamento cognitivo estimulam as áreas de atenção e memória em pessoas idosas”. O estudo foi desenvolvido sob a supervisão do professor Dr. Adriano Pasqualotti.

O objetivo da pesquisa foi avaliar as funções cognitivas das pessoas idosas que participaram de processos de interação em uma rede social na internet. Segundo ela, a pesquisa é intervencionista e de caráter descritivo-analítico. O estudo foi desenvolvido com participantes de grupos da Coordenadoria de Atenção ao Idoso (DATI) da cidade de Passo Fundo, do Rio Grande do Sul e do Brasil. “A amostra contemplou 41 idosas usuárias de computador, com idade entre 62 a 76 anos, e com escolaridade entre 4 a 11 anos de estudo”, explica Mônica.

As mulheres idosas foram divididas em três grupos: intervenção com motivação (GIM), com 13 idosas; intervenção sem motivação (GISM), com 18 idosas; e controle (GC), com 10 idosas, que não realizaram nenhuma atividade de interação na internet. De acordo com a pesquisadora, a distribuição nos grupos foi realizada de forma aleatória, levando-se em conta idade e anos de estudo.

As idosas foram avaliadas neuropsicologicamente antes e após intervenção, em um período de intervalo de cinco meses. Os resultados indicaram uma melhora significativa nas funções cognitivas de atenção e memória nos grupos de intervenção e déficits cognitivos no grupo controle nas áreas de percepção, linguagem e praxias. “Realizar treinamento cognitivo em redes sociais na internet pode melhorar algumas funções cognitivas de pessoas idosas, contribuindo para um envelhecimento ativo e com qualidade”, apontou a pesquisadora.

Uso das tecnologias
Mônica explica que, ao comparar o desempenho das funções cognitivas em idosas que utilizaram o Facebook como forma de interação no ciberespaço, foi possível verificar que os grupos que receberam intervenções apresentaram melhor desempenho em suas funções cognitivas de atenção e memória, em comparação ao grupo controle. “Com o envelhecimento, ocorre declínio cognitivo normal dos idosos e as tecnologias de informação e comunicação podem produzir melhorias gradativas para o idoso, nas áreas fisiológica, cognitiva, social e psicológica. O uso das tecnologias pode desenvolver a interatividade e o raciocínio dos idosos. Se eles se adaptam ao meio social onde ocorre a interação, o conhecimento e a aprendizagem adquiridos podem trazer benefícios para a sua saúde”, conclui ela.