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Projeto de Pesquisa da UPF avalia solos da região

  • Por: Jéssica França
  • Fotos: Fotos: Jéssica França

Pesquisa comprovou que os solos da região norte do Rio Grande do Sul têm maior capacidade de atenuação de contaminantes

O Programa de Pós-graduação em Engenharia Civil e Ambiental da Universidade de Passo Fundo ((PPGEng/UPF), ligado a Faculdade de Engenharia e Arquitetura (Fear), desenvolveu a pesquisa “Avaliação da propagação de contaminantes e da capacidade de atenuação dos solos residuais no norte do Rio Grande do Sul”. O projeto que teve início em 2003 pelos solos da região serem mais argilosos em relação aos demais do estado, buscou entender se um contaminante passando por ele ficaria retido ou se próprio solo atenuaria o contaminante.

De acordo com professor e coordenador da pesquisa Antônio Thomé, todos os solos funcionam como uma esponja, onde a água percola por ele. Dessa forma, o solo pode reter os contaminantes que a água está carregando, ou se já está contaminado. A pesquisa buscou saber se essa água pode retirar os contaminantes que estão no solo. “Foram feitas pesquisas mostrando que o nosso solo principalmente para contaminantes metálicos tem uma excelente capacidade de retenção, ou seja, o próprio contaminante fica retido no solo, ele não consegue migrar devido a um esforço eletroquímico”, explicou.

Exemplo prático da pesquisa é nos aterros sanitários, no qual é necessário colocar uma camada de proteção para que os resíduos sólidos urbanos não contaminem os solos. “Quando fazemos um projeto de aterro sanitário, precisamos colocar uma lona que chamamos de geomembrana na base para evitar que o líquido durante a degradação do lixo vá para o solo. Nós mostramos na pesquisa que aqui na região essa lona não é necessária, se a gente compacta o nosso solo, o líquido vai passar por ele, mas ele tem capacidade de reter esses contaminantes”, informou.

Comprovação da pesquisa 

Segundo o coordenador da pesquisa, a avaliação inicial foi realizada em laboratório, no qual o solo foi compactado, testando a sua reação diante da água contaminada, verificando a capacidade de retenção do solo, para que se pudessem realizar parâmetros para se fazer a modelagem matemática. “Conseguimos através da prefeitura de Carazinho, pois eles tinham uma lagoa de chorume que não tinha a manta de proteção, porque haviam instalado há muitos anos no local. Então conseguimos secar a lagoa e ter as características de compactação dela, comprovando que o solo conseguiu reter, não tendo nenhum pouco de contaminação”, afirmou. 

A pesquisa buscou entender a dinâmica de contaminação dos solos da região, sendo que há aterros sanitários em diversas cidades, por esse motivo a importância de estudar a contaminação do solo é uma questão de saúde pública, pois se contaminado os resíduos podem emergir para água subterrâneas. “Conseguimos criar um método para simular, já que obras ambientais simulamos para os próximos 500 anos, pois não temos como simular o infinito. Fizemos o cálculo comprovando que em 500 anos o nosso solo consegue reter todos os contaminantes. Sabemos que isso não ocorre, porque os aterros sanitários depois de 20 anos deixam de operar. Hoje os órgãos ambientais exigem essa lona na base e nós provamos que botar essa lona seria colocar dinheiro fora, que não é necessário na região e essa foi a grande contribuição prática da pesquisa”, finalizou.