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Poeta dos poetas

  • Por: Natália Fávero - Assessoria de Imprensa

Augusto Massi, um dos coordenadores de debates da Jornada, fala sobre o seu próximo livro, “Mal-entendido”, e a preparação de uma obra inédita sobre críticas escritas por Drummond

Augusto Massi é um poeta dos poetas porque, além de escrever poesia, procura dar visibilidade ao trabalho de outros poetas. Até hoje, ele publicou somente três livros de sua autoria, mas quase perdeu as contas de quantas obras organizou e publicou de outros poetas estreantes e consagrados. A vida dele gira em torno da poesia, seja como autor, editor, professor ou crítico. Uma de suas próximas obras reunirá ensaios e críticas literárias realizadas por um dos maiores poetas brasileiros, Carlos Drummond de Andrade. Também prepara um volume, intitulado Mal-entendido, que reunirá seus três primeiros livros de poesia e mais um inédito. Ao lado dos escritores Alice Ruiz e Felipe Pena, Massi é um dos coordenadores de debates da 16ª Jornada Nacional de Literatura, que acontece de 2 a 6 de outubro, na Capital Nacional da Literatura, em Passo Fundo/RS. 

É formado em Jornalismo (PUC) e em Letras (USP). Em 2017, Augusto Massi completa 27 anos como professor de literatura brasileira na Universidade de São Paulo. Além disso, tem uma carreira profícua de editor em casas editoriais renomadas como Editora 34 e Cosac Naify. Como jornalista já entrevistou Carlos Drummond de Andrade, João Cabral de Melo Neto, Ferreira Gullar, Adélia Prado, Raduan Nassar, Chico Buarque, entre outros. Poeta, professor, jornalista e editor: experiências que se completam. “Sempre tive paixão por jornal e trabalhei muito tempo cuidando das editorias de cultura e literatura. Também tive vínculo com editoras, dirigindo coleções de críticas e de poesia. E completo 27 anos como professor de literatura na universidade. Discretamente, passeio por cada uma dessas atividades, sendo conhecido de maneiras distintas. Mas, a poesia é o centro de tudo. Há um olhar poético presente em todas essas atividades”, afirma Massi.

A paixão pela literatura é uma influência familiar. Os seus pais sempre incentivaram o hábito da leitura em casa. Em 1991, publicou seu primeiro livro de poemas: Negativo, pela Companhia das Letras. Em 2001, foi a vez de A vida errada, pela editora carioca 7 Letras e, em 2016, em parceria com a poeta Lu Menezes, Gabinete de Curiosidades, pela Luna Parque. “Brinco que me considero quase um poeta póstumo. Atuo com certa regularidade nas demais áreas, porém, como poeta, deixei crescer um abismo de dez anos entre o primeiro e o segundo livro, assim como entre o segundo e o terceiro”, conta o escritor.

Massi revela que está trabalhando em um novo projeto, que reunirá as três obras - Negativo, A vida errada e Gabinete de Curiosidades - e mais uma inédita. O título, por enquanto, é “Mal-entendido” e será lançada pela 7 Letras. “Esse volume permitirá que as pessoas possam conhecer o meu trabalho e tenham uma visão da trajetória deste poeta que escreve muito, mas publica raramente. Acredito que a publicação ocorra no início do próximo semestre”, revela Massi.

Obra reunirá críticas de literatura feitas por Drummond
Carlos Drummond de Andrade é um dos escritores homenageados na Jornada de Literatura, ao lado de Clarice Lispector, Moacyr Scliar e Ariano Suassuna. Massi, durante sua trajetória como jornalista, entrevistou Drummond, com quem passou a ter um contato mais frequente a partir da entrevista. 

O crítico e professo considera Drummond o poeta do seu lado esquerdo. “É um poeta do coração, mas que também não me sai da cabeça, porque é um poeta reflexivo. Dentro da poesia brasileira, é um autor cujo traço de maior identidade está vinculado a uma postura quase filosófica. É o poeta da interrogação, da problematização, dos obstáculos: “No meio do caminho tinha uma pedra. / Nunca me esquecerei desse acontecimento/ na vida de minhas retinas tão fatigadas”. Sempre foi a grande referência para mim. Quando organizei uma coleção de poesia brasileira contemporânea, “Claro Enigma”’ [SP: Editora Duas Cidades, 1988), retirei o título de uma obra de Drummond, que também era o poeta preferido do meu pai”, declara.

Massi já organizou três livros de Drummond - Poesia traduzida, Confissões de Minas e Passeios na ilha -, dá aula sobre o poeta na USP e a sua mais recente homenagem ao escritor mineiro será a organização de um volume reunindo ensaios, resenhas e críticas literárias, dispersos e inéditas em livro.  A obra ainda não tem título definido, mas deverá ficar pronta em 2018. Há mais de sete anos, Massi vem pesquisando e garimpando em revistas e jornais antigos: “Já encontrei cerca de trinta textos críticos escritos por Drummond e desconhecidos do grande público. Entre eles, um sobre Cecília Meireles, outro, por exemplo, sobre Álvares de Azevedo. Há também comentários sobre poetas estrangeiros. Mesmo os que se dedicam ao estudo da obra de Drummond desconhecem a maioria desses textos. É um belo material”, revela o escritor.

Estreando na Jornada
Augusto Massi é mestre em Literatura Espanhola e Hispano-americana (1992), doutor em Literatura Brasileira pela Universidade de São Paulo (2004) e vem se dedicando ao estudo da poesia modernista, à prosa, à crônica e ao memorialismo. “Além de professor, pesquisador, editor e crítico literário, Augusto Massi costuma refletir sobre as questões ligadas à teoria literária. Estamos muito contentes em receber essa grande referência da literatura contemporânea”, destaca Fabiane Verardi Burlamaque, da coordenação da Jornada Nacional de Literatura.

Massi nunca participou diretamente das Jornadas, mas manifesta a maior admiração por sua militância histórica em torno da formação de leitores e da defesa fundamental da literatura. “Embora nunca tenha participado, sempre admirei o pioneirismo, a postura pedagógica e a visada crítica das Jornadas. Muito antes, por exemplo, da Festa Literária de Parati, as Jornadas tinham como característica engajar toda uma cidade e de ser uma ampla festa com a participação de escritores nacionais e internacionais. Estou muito honrado com o convite. Espero de alguma forma poder contribuir e colaborar. Sem sombra de dúvida, para mim, esta será uma experiência nova e enriquecedora”.

O escritor faz questão de destacar que a Jornada possui um diferencial dentre as demais movimentações literárias do país: “As Jornadas trabalham com a formação de jovens leitores ao longo de todos o ano. Me parece que este é o ponto decisivo: reunir crianças e adultos em torno do livro. Não enfatizando tanto o consumidor, mas, acima de tudo, o cidadão. O alto índice de alfabetização não é um dado isolado. Penso que reflete e reafirma uma conquista do Rio Grande do Sul. As Jornadas surgem num estado onde a cultura tem uma agenda, com dicção própria e, ao mesmo tempo, aberta a resto do país. Penso na força da Feira do Livro de Porto Alegre, na Fundação Iberê Camargo, no Festival de Gramado ou na Bienal do Mercosul. Isso sem falar na rica história editorial do estado que agora vem sendo revitalizada com editoras jovens e independentes”, comenta Massi.

A 16ª Jornada Nacional de Literatura e a 8ª Jornadinha Nacional de Literatura são realizadas pela Universidade de Passo Fundo (UPF) e pela Prefeitura de Passo Fundo. Os eventos contam com os patrocínios do Banrisul, da Corsan, do Sesi, da BSBIOS e da Companhia Zaffari & Bourbon e com o apoio do Ministério da Cultura, além da parceria cultural do Sesc, dentre outras empresas e órgãos. As inscrições para a Jornada e para a Jornadinha estão abertas e são limitadas. Os interessados devem se inscrever no portal www.upf.br/16jornada. A programação completa também está disponível no site da Jornada. Informações podem ser obtidas pelo e-mail jornada@upf.br ou pelo telefone (54) 3316-8368.