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Penúltima conferência da Jornada debate igualdade de gênero

  • Por: Assessoria de Imprensa
  • Fotos: Gelsoli Casagrande

Conceição Evaristo, Federico Andahazi, Marina Colasanti e Edegar Pretto fizeram parte da terceira conferência da 16ª Jornada Nacional de Literatura

Aclamadas escritoras, escritores e representantes de movimento global em defesa da igualdade de gênero participaram na quinta-feira, 5 de outubro, da terceira conferência do Palco da Compadecida, no Espaço Suassuna, da 16ª Jornada Nacional de Literatura. Participaram da mesa “Por elas: a arte canta a igualdade” autoras e autores contemporâneos como Conceição Evaristo, o argentino Federico Andahazi e Marina Colasanti, além do integrante do Comitê brasileiro do #Heforshe (ElesporElas), Edegar Pretto e do músico Thedy Corrêa.

Augusto Massi, coordenador de debates da Jornada, abriu os trabalhos destacando que a pluralidade, marca registrada desta edição da Jornada, está novamente em pauta. Felipe Pena, também coordenador de debates, ressaltou que “o melhor lugar do planeta nesta semana é aqui em Passo Fundo”. Depois de tantos elogios à Jornada, a coordenadora de debates Alice Ruiz questionou os convidados se a arte tem poder transformador, afinal a arte e a literatura também estão ligadas ao tema da igualdade.

“Se somos assim com arte, imagina sem arte”
Marina Colasanti, que já esteve na segunda edição Jornada, enfatizou que é uma “alegria estar de volta e ver a Jornada de volta”. Ao responder o questionamento de Alice, Marina ressaltou que gostaria muito de afirmar que a arte é extremamente modificadora, mas segundo ela, não é o que a história diz. Ela comentou que a arte modifica o ser humano e é uma necessidade vital do indivíduo. “Qualquer população do planeta tem arte e tem narrativa. Mas isso tem modificado aquele cerne sedento de poder, agressivo, que nos levas a guerras seguidas, a escravizar as pessoas, os animais.  Esse cerne que produz arte contém ao mesmo tempo essa perversidade polimorfa. A arte melhora nosso cotidiano, nosso olhar, é um refúgio, mas o mundo não tem mudado como a gente gostaria. Quando olhamos a história é o mesmo sistema sempre”, ressaltou a escritora que afirma que isso não significa que o ser humano deve se afastar da arte, pelo contrário. “Se somos assim com arte, imagina sem arte”, observou Marina.

Marina é uma das maiores escritoras brasileiras contemporâneas. É poeta, narradora, jornalista e tradutora. Tem oito décadas de vida e venceu a pouco o Prêmio Iberoamericano SM de Literatura Infantil e Juvenil do México.  A escritora, que teve atividade marcadamente feminista nas décadas de 1970 e 1980, se considera uma feminista histórica. Atuou nas questões de gênero, seja através dos seus artigos, que resultaram em quatro de seus livros, seja com participação direta como membro do Primeiro Conselho Nacional Dos Direitos da Mulher. 

Já Conceição Evaristo respondeu que não tem respostas, mas reflexões sobre ela. “A arte tem poder de nos devolver a humanidade. A busca pela igualdade passa pelo direito de poder dizer, ser, ler e escrever e tenho pensado que a leitura e a escrita têm que ser vista como direito de todos e não como bens culturais só para determinados grupos sociais”, enfatiza Conceição complementando que a arte tem esse poder convocatório. “Ela vai tocar as emoções das pessoas. A arte tem que ser convocatória para romper barreiras e trazer novos modos de dizer e de ser e a literatura é um espaço que propicia isso”, destacou a escritora, que tem uma produção literária voltada para reflexões acerca das questões de raça e de gênero.

Conhecido por seus romances históricos, o argentino Federico Andahazi usou da própria história para tratar do tema. Ao lembrar de Mateo Colombo, conhecido por ser o descobrir do clitóris, o órgão feminino associado ao prazer, o escritor e psicanalista destacou que ainda existe uma intenção de colonizar o corpo feminino. “Não queiram me convencer de que hoje existe igualdade entre homens e mulheres”, enfatizou. Andahazi lembrou ainda há muitos anos, o espaço reservado para as mulheres na literatura era o das Mil e uma noites, quando a mulher tinha que contar histórias para não ser morta e que isso precisa ser mudado. “Acredito que as mulheres souberam construir com muito direito um espaço mais do que o que dado a eles em Mil e uma Noites”, afirmou.

O cantor e compositor Thedy Correa, responsável também pelo show de abertura dessa quinta-feira ao lado de Aluísio Rochemback, relembrou o primeiro sucesso da banda Nenhum de Nós, a música Camila Camila, que trata de um caso de violência de gênero contra mulheres. Segundo Thedy, mesmo muitos anos depois ainda fala de uma realidade presente na sociedade. “Eu recebo muitos relatos de mulheres dizendo ‘eu sou a Camila da música’. Acredito que a gente pode mudar essa realidade e que é necessário dar o lugar de fala e fazer com que as mulheres sejam mais respeitadas”, falou. 

O presidente da Assembleia Legislativa do RS, Edegar Pretto, falou sobre o Movimento HeForShe (ElesPorElas). Ele coordena o Comitê Gaúcho Impulsor do ElesPorElas no estado, além de outras ações como o Cartão Vermelho à Violência Contra as Mulheres. Segundo o deputado, a militância nos movimentos sociais e na luta pela igualdade de gênero vêm de casa, referência que deve aos pais. "Pelo exemplo de luta que tive em casa fui tentando ser melhor nessa relação de gênero", argumentou. Durante o debate foi exibido o documentário da ativista Bárbara Penna, vítima de violência pelo ex-marido, que ateou fogo ao seu corpo e a jogou pela janela. "A Bárbara é uma sobrevivente e uma ativista. Fizemos este documentário que teve mais de 4 milhões de visualizações nas redes para que a história não se repita com outras mulheres. Isso impulsiona nossa luta pelo fim da violência contra a mulher e a igualdade de oportunidades, uma das principais causas do parlamento gaúcho", finalizou.

Sobre as Jornadas
A 16ª Jornada Nacional de Literatura e a 8ª Jornadinha Nacional de Literatura são promovidas pela Universidade de Passo Fundo (UPF) e pela Prefeitura de Passo Fundo. Os eventos contam com os patrocínios do Banrisul, da Corsan, da Ambev, da Companhia Zaffari & Bourbon,  da Ipiranga, da Panvel, da SulGás, da Triway e da TechDEC; com o apoio cultural da BSBIOS, do Sesi e da Coleurb, patrocínio promocional da Capes, da Fapergs, da Italac e da Oniz, com a parceria cultural do Sesc, financiamento do Governo do Estado – Secretaria da Cultura – Pró-cultura RS LIC e realização do Ministério da Cultura.  Confira a programação no site www.upf.br/16jornada.
 

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