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"Lutero e o conhecimento científico" é tema de aula aberta na UPF

  • Por: Assessoria de Imprensa
  • Fotos: Natália Fávero

Atividade realizada na quinta-feira, 16 de novembro, foi em alusão aos 500 anos da Reforma Protestante

Aula aberta promovida pelo curso de História e pelo Programa de Pós-Graduação em História da Universidade de Passo Fundo (PPGH/UPF) abordou “Os 500 anos da Reforma Protestante”. A atividade foi realizada na noite de quinta-feira, 16 de novembro, no Centro de Eventos da UPF. O teólogo, professor Dr. Martin N. Dreher, palestrou sobre “Lutero e o conhecimento científico”. 

Em 2017, a Reforma Protestante completa 500 anos. Essa Reforma marca o rompimento de Martinho Lutero com a Igreja Católica, o que resultou na criação de milhares de igrejas evangélicas reformadas e em profundas transformações na sociedade. O palestrante da aula aberta é pesquisador da história da Igreja e da história da colonização e da imigração na América Latina, e também dedica estudos à Reforma Religiosa do século XVI. 

No evento, Dreher falou sobre Lutero, um monge e professor de teologia, no contexto do desenvolvimento científico, já que o monge vivia dentro de uma primeira grande explosão das ciências e do humanismo, quando, por exemplo, Leonardo da Vinci realizava os primeiros estudos de anatomia, proibidos na época, e também os primeiros retratos de pessoas. “Lutero participava desse contexto da primeira explosão das ciências e do humanismo. Esse último, o humanismo, molda os nossos últimos 500 anos. Lutero fazia parte de um mundo no qual se queria liberdade nas mais diferentes acepções e uma dessas liberdades é a de expressão, que para nós é tão importante hoje”, revelou Dreher.

E como seria a visão do Lutero da sociedade atual? Segundo Dreher, Lutero ficaria maravilhado com alguns aspectos e assustado com outros. “Ele não era fundamentalista e hoje vivemos numa sociedade profundamente fundamentalista. Ele se escandalizaria hoje com a ética. Lutero era profundamente ético. Certa vez, perguntaram-lhe o que ele faria hoje se o fim do mundo fosse amanhã, e ele respondeu:  pagaria as minhas dívidas e plantaria uma macieira”, contou o palestrante, explicando que essa resposta mostra o quanto Lutero era correto e destacando que plantar a macieira representava que ele não queria que a boa criação de Deus fosse destruída. “São dois pensamentos muito atuais: precisamos de uma ética na economia e uma profunda ética também em relação ao mundo que temos aí e que queremos legar para as futuras gerações”, comentou o palestrante.

Na quinta-feira, o palestrante também lançou, na UPF, o livro "A religião de Jacobina" (Ed. Oikos). 

O palestrante
O professor Martin N. Dreher é graduado em Teologia pela Escola Superior de Teologia, São Leopoldo. Tem doutorado em História da Igreja pela Ludwig-Maximilians-Universität München (1975), Alemanha, com a tese “Igreja e germanidade: estudo crítico da história da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil”.

A temática da tese determinou suas pesquisas futuras, suas conferências e publicações, mormente dedicadas à história da Igreja e à história da colonização e da imigração na América Latina. Dedicou-se também ao estudo da Reforma Religiosa do século XVI e à publicação de fontes para o estudo do período. De 1978 a 1994, foi professor de História da Igreja e de História do Dogma na atual Faculdades EST, e, de 1995 a 2011, na Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), em São Leopoldo, RS, ministrou aulas nos cursos de graduação e pós-graduação em História.

Dreher está aposentado desde 2011 e é membro de diversas associações científicas. Ele vem se dedicando à produção textual relacionada com História da Igreja e da Imigração e Colonização na América Latina.