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Literatura em diálogo: Ariano Suassuna e literatura em cordel

  • Por: Assessoria de Imprensa PMPF Edição: Assessoria de Imprensa UPF
  • Fotos: Fabíola Hauch/PMPF

Incentivar a leitura e levar os clássicos para os jovens são alguns dos objetivos do Projeto Literatura em diálogo, que também convida a comunidade em geral para ler e falar sobre literatura. Na sexta-feira, 26 de maio, aconteceu mais uma edição no Teatro Municipal Múcio de Castro. Dessa vez, o debate foi sobre a obra “Auto da Compadecida”, de autoria de Ariano Suassuna.

O projeto propõe aos participantes a experiência da transposição do texto escrito clássico para outros meios de interação, como teatro e música, por exemplo. Nessa edição, a novidade ficou por conta da oficina temática de isogravura, realizada em parceria com o Museu de Artes Visuais Ruth Schneider (MAVRS).

O público aprovou a iniciativa, como conta a aluna do Colégio Estadual Joaquim Fagundes dos Reis, Helena Bagatini, que participou pela segunda vez do projeto. “Achei muito interessante o início da abordagem porque mostra primeiro como é a literatura de cordel, identificando as situações que os cangaceiros passam, tudo que se faz muito no nordeste e que aqui não se tem muito contato. Achei muito interessante trazer isso no início para, no decorrer do diálogo, entender melhor o que se passa”, disse ela. A isogravura foi escolhida por ser uma adaptação da técnica da xilogravura, a qual foi muito utilizada no nordeste brasileiro para a ilustração dos textos da literatura de cordel. Pela isogravura, em vez da utilização do entalhe de desenhos na madeira, utiliza-se isopor e tinta como matrizes o que se pretende reproduzir.

Aluno no EJA do Colégio Gama, Douglas Gonçalves conheceu pela primeira vez o projeto. “É a primeira vez que eu participo e acho muito bacana. É mais aprendizado e inclusão da cultura”, afirmou ele.

A atividade foi conduzida pela coordenadora do projeto, a professora Dra. Ivânia Campigotto Aquino, e pela professora do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade de Passo Fundo (UPF/PPGH), Dra. Ironita Policarpo Machado. “Nessa edição, escolhemos essa obra pela representatividade que Ariano Suassuna tem na produção literária brasileira do século XX e nesse gênero literário. Ao representar a cultura popular, o autor buscou uma forma conhecida desde a Idade média, que são os autos. O humor que ele utiliza é crítico e faz uma leitura do Brasil. Embora produzido na década de 1950, o texto ainda traz problemas sociais que são atuais”, explicou ela.

O texto de Suassuna foi publicado em 1955, com toques de humor e comédia. Escrito a partir da literatura de cordel, retrata a cultura popular nordestina. Com personagens peculiares, como João Grilo e Chicó, reflete a realidade do povo sertanejo da época, marcado pela religiosidade exacerbada, pela simplicidade, pela miséria humana, pela mesquinharia das pessoas e também pela luta de poder.

Quem faz?
A iniciativa é promovida pela Prefeitura de Passo Fundo, por meio do Núcleo do Livro, Leitura e Literatura da Secretaria de Educação e da Biblioteca Municipal Arno Viuniski, e pela Universidade de Passo Fundo, por meio do Curso de Letras e do Programa de Pós-Graduação em Letras (PPGL). O projeto integra ainda o Programa Ensino e Inovação do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH). Os estudantes de diferentes cursos da Universidade ligados à área, em parceria com a equipe da Biblioteca Municipal, auxiliam no planejamento, na organização e na execução das atividades que serão apresentadas. Os encontros ainda integram a Jornada em Ação, das Jornadas Literárias.

Literatura em Diálogo
O projeto propõe a leitura e a discussão de obras clássicas da literatura no ambiente escolar de todas as escolas de Passo Fundo, sendo voltado para alunos dos anos finais do ensino fundamental e do ensino médio. Em um primeiro momento, é realizada a leitura da obra literária na própria escola pelos alunos participantes. Posteriormente, os monitores do projeto fazem a leitura e a contextualização histórica da obra e do autor, a fim de preparar as turmas para a discussão. Por fim, os grupos das escolas participantes se encontram para dialogar com profissionais de diferentes áreas do saber – como Letras, Filosofia, História, Sociologia, Psicologia, entre outras –, que discutem com os alunos sobre diversas questões, em uma reflexão histórico-literária.

O objetivo é o aprofundamento teórico das análises dos textos e o exercício da criatividade prática na abordagem metodológica da leitura. Também são realizadas intervenções culturais, com esquetes, apresentações musicais, dança, encenações teatrais, trechos de filmes e diferentes atividades artísticas para que o público possa viver a experiência da transposição do texto escrito clássico para outros meios de interação. O projeto também acaba envolvendo alunos do ensino superior e a comunidade em geral. A atividade é aberta ao público.