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Affonso Romano de Sant’Anna, Bráulio Tavares, Cintia Moscovich e Nádia Battella Gotlib celebram a tradição literária

  • Por: Assessoria de Imprensa
  • Fotos: Divulgação

Autores participarão da segunda mesa de debates da 16ª Jornada Nacional de Literatura, que terá como tema a obra dos escritores Moacyr Scliar, Ariano Suassuna, Carlos Drummond de Andrade e Clarice Lispector

Em 2017, a Jornada Nacional de Literatura, que sempre teve como característica principal dialogar com a atualidade, se abre também para homenagear a tradição. Por isso, a 16ª edição da movimentação literária, que acontece entre os dias 2 e 6 de outubro, volta seus olhares a quatro grandes escritores brasileiros: Moacyr Scliar, Ariano Suassuna, Carlos Drummond de Andrade e Clarice Lispector, contemplando sua trajetória e as obras que marcaram suas carreiras. E uma dessas homenagens acontece no palco de debates. No dia 4 de outubro, os escritores Affonso Romano de Sant’Anna, Bráulio Tavares, Cintia Moscovich e Nádia Battella Gotlib se reúnem para debater o tema “Centauro, pedra, rosa e estrela: Scliar, Suassuna, Drummond, Clarice”. 

Para um dos coordenadores das Jornadas Literárias, Miguel Rettenmaier, a Jornada é uma movimentação cultural que acompanha a contemporaneidade da produção literária há mais de 30 anos. De certa forma, na opinião dele, ler os anais das Jornadas é uma forma de visitar as preocupações e as demandas de momentos determinados da história do sistema literário e como isso chegou a se refletir nas temáticas, que, a partir de certa altura, orientaram os debates. Mas não só do contemporâneo vive a leitura... Por isso, o tema “Centauro, pedra, rosa e estrela” será um desdobramento das reflexões sobre a produção literária através do tempo, na diversidade de tendências que orientaram a tradição mais recente da literatura: “Da mesma forma como mantemos a perspectiva de focalizar o contemporâneo, estamos trazendo ao público e à recepção o canônico, ao tratar da obra de quatro autores que cumprem décadas em 2017”, comenta o coordenador. 

O nome da mesa “Centauro, pedra, rosa e estrela” está relacionado a grandes obras dos autores homenageados: centauro, de "O centauro no jardim", de Moacyr Scliar; pedra, uma alusão ao "Romance da Pedra do Reino", de Ariano Suassuna; rosa, uma referência à obra "A rosa do povo", de Carlos Drummond de Andrade; e estrela, do livro "A hora da estrela", de Clarice Lispector. O que o público pode esperar, na opinião da também coordenadora Fabiane Verardi Burlamaque, é um espaço para falar a respeito da produção literária dos quatro autores, trazendo intelectuais e autores consagrados, profundos conhecedores das obras dos homenageados. 

Os convidados

Esses autores são Affonso Romano de Sant’Anna, Bráulio Tavares, Cintia Moscovich e Nádia Battella Gotlib, que, segundo o coordenador, foram escolhidos por uma dupla condição: além de conhecedores da obra dos homenageados, são também importantes escritores no sistema literário atual. 

Affonso Romano de Sant’Anna pesquisou tanto a obra de Drummond quanto produziu, com Marina Colasanti, uma obra sobre Clarice Lispector. “Sant'Anna também foi grande amigo do poeta, escrevendo, inclusive, sua tese de doutoramento sobre ele a partir da cedência de documentos pelo próprio Drummond”, explica Fabiane. 

Bráulio Tavares é um pesquisador da literatura fantástica. Transita pela ficção científica, pela literatura de mistério e, também, pela cultura da oralidade. Assim, ingressa na literatura de cordel, voltando-se à questão da identidade popular. “Sua participação, ao tratar de Suassuna, relaciona-se com sua trajetória crítica e criativa, já que ele, por exemplo, escreveu uma obra dedicada ao autor, ABC de Ariano Suassuna”, observa a coordenadora. 

Já Nádia Battella Gotlib, complementa Rettenmaier, escreveu uma biografia espetacular sobre Clarice Lispector e tem ampla pesquisa sobre a autora. Cintia Moscovich, por sua vez, era amiga pessoal do Scliar. “Ela era também profunda conhecedora da obra e das temáticas do autor e contribuiu com a obra O viajante transcultural: leituras da obra de Moacyr Scliar, organizada por Regina Zilberman e Zilá Bernd”, lembra Fabiane. 

Os homenageados

Em sua 16ª edição, a Jornada Nacional de Literatura homenageia Moacyr Scliar, Ariano Suassuna, Carlos Drummond de Andrade e Clarice Lispector. A escolha foi motivada especialmente pelo fato de o ano da Jornada estar relacionado ao nascimento ou ao falecimento desses autores. Moacyr Scliar e Ariano Suassuna nasceram em 1937 e em 1927, respectivamente. Já Drummond faleceu em 1987, enquanto Clarice faleceu em 1977. “Essas datas são importantes para nós, mas tão importante quanto isso é promover a leitura da tradição, mesmo que mais recente, da literatura brasileira”, explica Rettenmaier.  

De acordo com o coordenador, a Jornada sempre buscou dialogar com a atualidade, mas não pode esquecer o que veio antes. “São autores que já fazem parte do cânone, nomes fundamentais à literatura brasileira. Em especial, dois desses autores são de grande valor para a Jornada. Scliar participou de vários momentos da Jornada e Suassuna recebeu aqui o título de Doutor Honoris Causa, ou seja, nós temos ligação com esses autores, que estão vinculados não só à tradição literária, mas também ao passado da Jornada”, finaliza.

Inscrições para a Jornada e para a Jornadinha

A 16ª Jornada Nacional de Literatura e a 8ª Jornadinha Nacional de Literatura são realizadas pela Universidade de Passo Fundo (UPF) e pela Prefeitura de Passo Fundo. Os eventos contam com os patrocínios do Banrisul, da Corsan, do Sesi, da BSBIOS e da Companhia Zaffari & Bourbon e com o apoio do Ministério da Cultura, além da parceria cultural do Sesc, dentre outras empresas e órgãos. 

As inscrições para a Jornada e para a Jornadinha estão abertas e são limitadas. Para a Jornada, o público pode se inscrever tanto para o evento completo quanto para apenas uma das noites. Os interessados devem se inscrever no portal www.upf.br/16jornada. A programação completa também está disponível no site da Jornada. Informações podem ser obtidas pelo e-mail jornada@upf.br ou pelo telefone (54) 3316-8368.

Sobre os autores da mesa “Centauro, pedra, rosa e estrela: Scliar, Suassuna, Drummond, Clarice”: 

Affonso Romano de Sant’Anna

Affonso Romano de Sant’Anna é um artista e intelectual diversificado e consistente que pensa o Brasil e a cultura do seu tempo, que se destaca como teórico, como poeta, como cronista, como professor, como administrador cultural e como jornalista. Com mais de 50 livros publicados, foi considerado pela revista “Imprensa” (nos anos 90) como um dos dez jornalistas que formam a opinião pública do país. Tendo se destacado nos movimentos de vanguarda que marcaram a literatura brasileira nos anos 60, notabilizou-se, resistindo durante a ditadura, por obras como “Que país é este” e “Política e paixão”.

Obras indicadas: Como se faz literatura; Entre leitor e autor; Que país é este?; Vestígios.

Braulio Tavares

Braulio Tavares nasceu em 2 de setembro de 1950 em Campina Grande e morreu em 8 de julho de 2014, quando a Alemanha fez o sétimo gol. Como tinha muitos compromissos, no entanto, continua trabalhando até hoje. Exerce diversas profissões não remuneradas, entre elas: cientista visionário, comediante existencialista, escritor de literatura oral, filósofo popular, andarilho sedentário, individualista de esquerda.

Obras indicadas: Sete monstros brasileiros; O flautista misterioso e os ratos de Hamelin; Histórias para lembrar dormindo.

Cintia Moscovich

Cintia Moscovich é escritora, jornalista e professora de criação literária. Com oito títulos individuais e participação em mais de três dezenas de antologias, é publicada em mais de dez países. Mereceu o Prêmio Guimarães Rosa, da Radio France Internationale, o Portugal Telecom na categoria de contos e crônicas, o Clarice Lispector da Fundação Biblioteca Nacional, além do Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro.

Obras indicadas: Arquitetura do arco-íris; Por que sou gorda, mamãe?; Essa coisa brilhante que é a chuva?

Nádia Battella Gotlib

Nádia Battella Gotlib, livre-docente pela Universidade de São Paulo, atuou como professora de Literatura Portuguesa e de Literatura Brasileira na USP. Foi pesquisadora Sênior do CNPq. Atualmente, é professora colaboradora do Programa de Pós-Graduação em Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa da USP. Foi professora visitante de várias universidades brasileiras federais, estaduais e particulares. Organizou, com Walnice Nogueira Galvão, o livro Prezado Senhor, Prezada Senhora (São Paulo: Companhia das Letras, 2000), que reúne textos de vários autores referentes à epistolografia. Organizou edição de texto até então inédito de Elisa Lispector, Retratos Antigos, publicado pela UFMG em 2011. Publicou vários artigos e ensaios na área de literatura, incluindo alguns sobre ‘cartas’. Publicou também 11 livros, entre eles: Teoria do conto; Tarsila do Amaral, a modernista; Clarice, uma vida que se conta; Clarice Fotobiografia. 

Obras indicadas: Clarice: uma vida que se conta; Clarice fotobiografia.