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14ª Jornada Nacional de Literatura PDF Imprimir E-mail

Leitura entre nós: redes, linguagens e mídias

A 14ª Jornada Nacional de Literatura de Passo Fundo completa três décadas de movimentação em torno do livro e da leitura nas mais variadas linguagens e mídias. A origem da Jornada, no ano de 1981, está intimamente ligada à história da leitura no Brasil num processo de redemocratização política e de valorização da cultura, como elemento fundamental à formação crítica e cidadã dos indivíduos e, de modo geral, da própria sociedade.

A evolução do trabalho de promoção da leitura nessas três décadas não implicou, contudo, a estagnação dos conceitos. Tendo por princípio que a leitura literária é, em essência, a mais complexa e transformadora das tantas formas de ler, e que provoca uma subversão da conformidade, uma pluralidade de sentidos e de interpretações e uma experiência de alteridade singular – a Jornada não recusou os progressos que envolveram o desenvolvimento e a criação das mais variadas mídias, quanto mais quando essas mídias, justapostas a outras manifestações artísticas, ganhavam uma elaboração estética renovada.

A Jornada, na defesa da leitura para todos, propôs em sua história refletir sobre a arte em todas as suas formas, das manifestas pela oralidade popular às engendradas pelas mídias eletrônicas, das estabelecidas nas comunidades orais às distribuídas na sociedade em rede. A leitura entre nós,  os  envolvidos na história da Jornada, os leitores, os escritores, os artistas, as crianças, é forma de viver e de transformar a vida.

Nós somos os nós dessa rede, no feliz jogo que a língua portuguesa permite entre “nós”, na grande comunidade que passou a ser o mundo medido pela voz, pela escrita, pela tecnologia digital provedora da rede, promotora da livre comunicação em tempo real. No terceiro milênio, as Jornadas de Passo Fundo se integram conscientemente a uma era na qual o saber, o trabalho, a leitura, a imaginação, tudo passa por experiências interpessoais e pela inteligência coletiva.

O conhecimento, na atualidade, se dá em rede, num universo no qual sujeitos e textualidades em diálogo se envolvem em quaisquer projetos significativos, em todo objeto com sentido. A sociedade em rede, nos seus infinitos “nós”, é, em seu cerne, produtora de saber e de arte, sem restrições e sem papéis definidos. Na leitura de um texto escreve-se a vida de quem lê.