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Alunas do PPGL realizam doutorado sanduíche nos EUA e em Barcelona

  • Por: Assessoria de Imprensa
  • Fotos: Divulgação

A Universidade de Passo Fundo (UPF) tem buscado ampliar a sua internacionalização e uma das ferramentas nesse processo é a realização de intercâmbios pelos alunos ligados ao stricto sensu. Um dos exemplos vem do Programa de Pós-Graduação em Letras (PPGL). Neste momento, uma aluna está nos Estados Unidos e uma na Espanha, aprofundando conhecimentos e representando a Universidade. Ambas foram selecionadas em edital da Capes e são orientadas pela professora Dra. Fabiane Verardi Burlamaque.

Para o vice-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação, professor Dr. Leonardo José Gil Barcellos, o incentivo à internacionalização tem trazido bons resultados, potencializando as ações que visam à internacionalização da Universidade. “Essas experiências enriquecem a vida acadêmica e oxigenam as ações que são desenvolvidas. A Universidade tem buscado isso, oportunizando aos alunos e aos professores essa experiência internacional”, frisou.

Segundo a orientadora, a ida das alunas para o exterior reforça e fortalece o compromisso do Programa com qualificação da formação. “Para nós, é gratificante ver que nossos alunos estão alçando voos maiores, buscando e ampliando seu conhecimento em outras culturas e, com isso, levando o nome da UPF”, pontuou.

De acordo com Izandra Alves, a motivação veio pelas conversas com a orientadora e a partir do relato de experiências vividas no doutorado sanduíche realizado por Fabiane na França. Depois de tomar conhecimento do edital da Capes, Izandra viu a possibilidade de realizar o sonho. Em contato com o professor Dr. Jorge Larrosa Bondia, da Universitat de Barcelona - um dos grandes nomes da atualidade na área da experiência da leitura -, teve o aceite para que ele fosse coorientador de sua pesquisa. “Para mim, que sou uma estudante bolsista, a nona filha de pequenos agricultores semianalfabetos e que desenvolvo uma pesquisa com adolescentes privados de liberdade e rechaçados pela sociedade, é uma vitória ter chegado até aqui e poder trazer comigo toda essa história de luta e de coragem de todos esses que, de uma forma ou outra, contribuíram para que eu estivesse aqui. Sou muito grata a todos”, ressalta.

Izandra desenvolve a pesquisa na linha de Leitura e Formação do Leitor. Em Barcelona, ela cursa uma disciplina de 30 horas ministrada pelos professores José Contreras e Jorge Larrosa, intitulada “Investigar la experiencia educativa. Saberes y linguajes”. A atividade, segundo ela, tem contribuído para pensar a pesquisa pedagogicamente e reestruturar os dados já coletados. “Também assisto a outra disciplina de 60 horas chamada “Sociologia de la educación”, ministrada por Larrosa para alunos da Pedagogia Social. Decidi participar dessa disciplina porque a atividade que o professor desenvolve com a turma me chamou muito a atenção, pois eles realizam as experiências de leitura de maneira muito particular, e isso está merecendo ser descrito em forma de artigo acadêmico; e é o que estou fazendo”, explica.

O retorno para o Brasil está previsto para junho deste ano. Além de concluir a tese, na volta, ela falará com a equipe técnica e com os jovens da Fundação Case Caxias do Sul para relatar as experiências e contar a eles o quanto a pesquisa emocionou os alunos e professores da Universitat de Barcelona.

Roberta Macedo Ciocari está nos Estados Unidos, na University at Albany, e o doutorado sanduíche era um sonho antigo. Ela desenvolve a pesquisa na linha de leitura e formação do leitor, mais especificamente em como a leitura extensiva, seus métodos e suas técnicas podem ajudar na formação de professores leitores. O objetivo, segundo ela, é que esses professores se tornem leitores emancipados e que possam, consequentemente, ajudar seus alunos a se tornarem leitores também.

Orientada, na universidade americana, pela professora Judith Langer, ela tem reuniões mensais para discutir a coleta de dados realizada no Brasil. A partir dessas discussões, Roberta busca bibliografias para fundamentar a análise dos dados, além de discutir diferentes metodologias para a análise dessas informações.

Dos aprendizados que trará, Roberta pontua a preocupação dos pesquisadores com a qualidade das pesquisas em detrimento da quantidade. Segundo ela, os trabalhos são desenvolvidos com, no mínimo, cinco anos de intervalo até a sua apresentação final. Participando de um grupo de estudos dos professores da Educação, ela percebeu que os professores apresentam seus artigos como uma forma de avaliação pelos pares antes de publicá-lo ou de apresentá-lo em um congresso. “Nesses momentos, muitas críticas construtivas são feitas. Observei que a coleta de dados para esses trabalhos iniciou há vários anos – dos dois trabalhos a que assisti até agora, as coletas foram feitas em 2013. No entanto, antes de essa coleta ser iniciada, ainda houve tempo de estudo para estruturá-la com o menor grau possível de falhas. Estamos em maio de 2017 e essas pesquisas estão sendo apresentadas somente agora para os pares, então temos, no mínimo, um intervalo de 5 anos para que o trabalho seja apresentado em sua forma quase final. E não são pesquisas de mestrado ou doutorado, são pesquisas que os professores desenvolvem comumente, alguns com a ajuda de alunos, outros não”, explica.

Roberta retorna ao Brasil no dia 29 de novembro deste ano e pretende finalizar os trabalhos iniciados.