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Batata UPFSZ Atlantucha é lançada na Expodireto

  • Por: Assessoria de Imprensa
  • Fotos: Alessandra Pasinato

Variedade tem boa produtividade, resistência a insetos e é ideal para fritura. Essa é a primeira cultivar de batata desenvolvida na FAMV/UPF e já está disponível para produtores e compradores interessados em cultivá-la

Depois de 10 anos de testes e melhoramento genético, a Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária da Universidade de Passo Fundo (FAMV/UPF) lançou, na manhã desta quinta-feira, dia 8 de março, sua primeira cultivar de batata, denominada de UPFSZ Atlantucha. A variedade, desenvolvida pelo Laboratório de Biotecnologia Vegetal, foi apresentada ao público durante a Expodireto Cotrijal, em Não-Me-Toque.

A batata UPFSZ Atlantucha tem boa produtividade, resistência a insetos e é ideal para fritura. Essa é a primeira cultivar de batata desenvolvida na FAMV/UPF e originou-se do cruzamento das variedades Catucha x Atlantic – o que dá o nome da variedade, junto da sigla SZ, uma homenagem ao produtor de batata semente Sérgio Zanetti, que foi um grande colaborador nos trabalhos de pesquisa e seleção a campo. O primeiro cruzamento foi realizado há 10 anos e, depois de muitos testes e estudos, a variedade, que já está registrada no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), está disponível para o cultivo externo. 

Aptidão culinária
Protagonista no desenvolvimento dessa nova variedade de batata, a engenheira agrônoma e professora Dra. Lizete Augustin explica que a cultivar apresenta bom potencial produtivo, com hastes e folhas muito vigorosas, além de um sistema radicular bem desenvolvido, fato que confere uma boa tolerância à escassez de água. “Isso se traduz em alta produtividade e tolerância ao estresse de falta de água, uma alternativa ao produtor que não faz irrigação. Além disso, tem raízes bem desenvolvidas”, afirma ela, que iniciou o projeto a partir de sua tese de doutorado. 

O desenvolvimento da nova cultivar também contou com a contribuição da engenheira agrônoma Me. Marilei Suzin, e do laboratorista Clarício Machado dos Santos, que atuaram diretamente no melhoramento e no trabalho de campo. Conforme os pesquisadores, a UPFSZ Atlantucha é resistente às principais doenças das batatas, como a requeima, além disso, resiste aos insetos, pragas e a bacteriose Erwinia sp., presente no solo. “Com essa resistência, não é necessário utilizar tanto agroquímico em sua produção”, explica Lizete, que se dedicou durante 40 anos à pesquisa de melhoramento genético de aveia e também de batata.

Um dos diferenciais dessa cultivar, segundo os pesquisadores, é a excelente qualidade para fritura, sendo similar à cultivar Atlantic (que tem padrão internacional em qualidade de processamento industrial). A UPFSZ Atlantucha tem tubérculos com formato oval, sendo ideal para fritura em forma de palito e, além disso, tem alto teor de massa seca e baixo teor de açucares redutores, que deixam os palitos crocantes e com coloração clara.

Conhecimento que gera tecnologia
Presente na solenidade, o vice-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da UPF Leonardo José Gil Barcellos destacou que o lançamento da cultivar representa a consolidação de um trabalho. “Existe um longo trabalho e depois uma maratona burocrática na qual é preciso literalmente provar que a nova variedade é melhor. Nosso produto alia as boas características da variedade mais usada e traz mais resistência e sanidade”, afirma, reiterando que esse é um indicador de que a cultura da Instituição vai além de gerar ciência e conhecimento, ela gera também produtos e tecnologias que impactam no campo. “É um presente para a UPF nesses 50 anos”, disse, destacando a evolução ao longo do tempo: “Em 2010, havia uma propriedade intelectual protegida na UPF. Hoje, são 66”, enfatiza. 

Também presente na solenidade de lançamento, o diretor da FAMV, professor Hélio Rocha, destacou o trabalho realizado pelo laboratório e a longa caminhada até a apresentação oficial da variedade. “Foi um trabalho árduo, de muitas tentativas e tratativas para que chegássemos a esse tipo de material”, disse ele, em reconhecimento à equipe que atuou no desenvolvimento do projeto.  

Disponibilidade de semente
As sementes da UPFSZ Atlantucha desenvolvidas no Laboratório de Biotecnologia Vegetal da UPF estão sendo produzidas pelo agricultor Sérgio Zanetti, em Ibiraiaras. Ele explica que compra as mudas produzidas pelo laboratório e planta em sistema hidropônico, para que sejam transformadas em minitubérculos, que, posteriormente, são colhidos e, de acordo com a variedade, são frigorificados, para, somente depois desse processo, serem multiplicados no campo. “A primeira colheita é transformada em semente básica e vendida para produção comercial”, explica ele.

Seguindo uma tradição de família, Zanetti atua desde pequeno com a produção de batata, que já era cultivada comercialmente pelo pai, e, há mais de 30 anos, se dedica apenas à produção de batata semente. Ao todo, são 10 variedades produzidas pela propriedade, que funciona em sistema cooperativo entre o pai e seus dois filhos. Para ele, a cultivar sendo resistente a doenças e pragas também favorece o cultivo para produção orgânica, por necessitar menor uso de agroquímicos. “Temos uma área produzida de UPFSZ Atlantucha, com mil minitubérculos para colheita em maio, o que resultará em uma tonelada de batata semente. A partir de então, já pode ser comercializada”, afirma o produtor.